O cara mais bacana do pedaço
O dia acordou com aquele gosto de liquidação. Nada tão valoroso que se pretenda guardar, porque afinal estamos na era das grandes liquidações e tudo pode ser descartado fácil e rapidamente. Jony na janela vê a bisca passar do outro lado da rua, e lembra dos olhos descartáveis metidos em lentes de contato azul e pensa se as mulheres são mesmo feitas de carne e osso. Como agüentam tudo isso. Lembra de Anne que retirou duas costelas para ficar esbelta, do silicone deliciosamente trêmulo nos seios de Thelma e escorrega as mãos pelos bolsos mas, antes que chegue no sem cérebro que principia um momento de lucidez descobre uma ponta firmemente acomodada no envelope transparente do cigarro. Acende com o rosto torcido pelo gosto acre do baseado dormido e fuma todas as suas piras. Ele sabe que é o melhor cara do mundo. No espelho ele se vê bonito na foto, e decreta: "a próxima eu como o cu". Anda para lá e para cá na sua vida de malandro, pensa inquieto antevendo o próximo naco de carne oferecido pelo mercado das putas desqualificadas. Talvez ele vá até a Estação Antuérpia comer algo como um pastel de Rosemary, ou uma coxinha de Gláucia, qualquer carne que seja cor de rosa. Quem sabe ligue para a coroa da festa do Vintage, para que ela forneça algum em troca de uma foda rápida. Jony, Jony. Procura por chamadas perdidas, mas nada. O telefone mudo, no jornal Islâmabad Ahhmed é o dono da manchete. Nada se pode fazer a não ser ficar bem quieto esperando pelo inevitável. Graças a Deus ele nasceu homem. Ele sabe disso durante todos os minutos de sua vida...Eu Jony um homem de verdade, um Homem com h maiúsculo, com pau grande, eu adorado por todas as carnes neste maravilhoso século das grandes liquidações! .