Eu não morri ainda
Eu acredito em pecado, porra. E sempre me emociono com o Garanhão Italiano rezando antes de entrar no ringue. Esvazio garrafas e espero amanhecer pra ir trôpego até o botequim da esquina filar umas coxinhas com katchup. Volto do botequim e olho pra minha garota dormindo como uma criança e isso me dá força. Isso faz com que eu não me atire na frente do primeiro ônibus numa manhã de ressaca. Eu nunca me senti bem na vida e ainda assim acredito numa porrada de coisas. Por isso continuo dando balão na morte, porque às vezes eu acho que essa história de suicídio é uma grande cuzonice e outras vezes é o grande cheque mate, o grande trunfo. A vida nunca deu mole pra mim e eu não sou do tipo que reinvindica alguma compaixão da parte dela. No mais o tabuleiro continua sobre a mesa, porque minha partida de xadrez com o diabo nunca acaba. Somos dois caras espertos.