Edição 12

Último canto

Célia Musilli

o último poema de amor

já nasce esquecido

ele atravessa

a geografia insólita

o desejo inacabado

o horizonte perdido

o último poema de amor

corre veloz como um rio

arrasta

seixos folhas

beijos corações

e pétalas

arrasta a saudade selvagem

dos que ficaram no exílio

sem desfazer o pacto

de celebração e mistério

do seu primeiro poema de amor