Bourbon sea
Eu também tive um
sonho. Ondas de bourbon douradas reluziam ao sol artificial de lâmpadas
potentes. O ruído de mil vozes rugia acima do mar. Eu nadava para a
superfície sem nunca alcançar. O ar queimando nos pulmões. Têmporas
latejando. O coração parecendo estourar no peito. Um inesperado abraço.
Muito além de um sonho. Um toque suave das mãos. Olhos nos olhos e o
calor dos corpos distantes.
Linhas de luz cortavam meu espírito
de um lado a outro e voltavam. Triturando os restos de sanidade que
poderiam sobrar em minha mente embotada. Os ossos doendo pelo cansaço.
E eu cagando para tudo e todos. Estava cansado e apenas balbuciava
algumas palavras 'on passant'.
Mataria por ter teus traços
belos ante meus olhos, mas não tens noção nem nunca terás. Pois a vida
é tudo perante a morte do belo e sublime. No entanto como anátema do
cavaleiro andante, não sofro de amor. Vou em frente com pegadas de
chumbo, como Jeremias arrasando o que se interpõe em meu objetivo que é
mesquinho e só meu e não compete a ninguém.
Pelo menos eu não
enrolo ninguém com falsos pretextos e definições cagadas por literatos
ou acadêmicos. Cago em todos os doutos cagadores de regras claras e
definitivas para a vida. As regras de vossas palavras resvalam por
minha pele mais rápido que as gotas de suor que brotam de minha ira.
Portanto, se não querem ver demônios de verdade não me encham o saco e
saiam de minha frente quando eu passar.
Não confundam minha
educação com servilidade, nem meu sorriso com cordialidade. Agucem seus
sentidos para perceber que minha espada fere, procura o alvo certeiro e
está pronta a decepar o último sopro medíocre de sua vida em alguns
segundos.
Chega. A parada é coisa antiga. Só quero mais uma dose
entre músicas que eu escolher e a solidão de meu espaço, e ficar tão
distante de tuas possibilidades quanto tua medíocre imaginação
permitir, pois estarei tão distante perdido em espirais desconexas que
parsecs serão pouco para definir.
Eu e meus anjos, eu e meus demônios, no Bourboun sea.