O homem oco
motoqueiro bateu de frente com um caminhão e voou por sobre os carros que brincavam de estátua na pista expressa. Antes de tocar o solo, abriu asas e foi com o vento imitando pássaros improváveis. Seus movimentos recém descobertos pareciam calculados e obedeciam a um ritmo lânguido.
Muitos abandonaram seus automóveis e seguiram a pé sua coreografia pelo ar. Quando ele furou a névoa de poluição e desapareceu em cinza, a noite caiu súbita.