Edição 15

Mundo estranho

Alessandro Bartel

encostou a cabeça no meu ombro e sem que eu esperasse me disse baixinho "o mundo anda muito estranho!". Passei o braço por detrás de seu pescoço. Ficamos assim por um tempo. "Posso dormir assim hoje?", pediu depois de uma longa pausa. Concordei, em silêncio.

Fiquei pensando no mundo. Na estranheza de certas coisas. Ouvindo a respiração dela. Das estranhezas do mundo surgem coisas inesquecíveis, como ela dormindo com a cabeça no meu ombro. Fiquei olhando o céu. Mundo estanho mesmo. Optei por ficar acordado com receio que a noite passasse depressa demais.