Outro tempo
Pensamentos que
giram em alta velocidade. Pulam de um para outro sem terminar em ponto.
Chamuscam meus neurônios flácidos. Todas as idéias que parecem geniais
e são frágeis. Acabam perdidas ao vento como as palavras não escritas,
como os versos não ditos de uma poesia esquecida. Poros abertos para o
nada. Como os sonhos que se chocam misturando-se a um só. A lâmina
abstrata da razão partindo tudo em giros vertiginosos
A seta
traçando um caminho. Colhendo sentimentos em frangalhos. Rasgando o ar
gélido entre a névoa da humanidade. Passando incólume entre os corpos.
As filosofias perdidas. Os cinco cavalos puxam a carruagem em corrida
desenfreada. Note sem fim. O arqueiro prepara outra seta enquanto o
condutor anuncia outro tempo.
Tudo isso por trás de meus olhos
cansados. Enquanto ouço conversas concordantes. Palavras decentes e
idéias sem importância. Um ego perdido nas Hespérides. Vagando entre
ondas impossíveis. Passos em Tróia que ainda ecoam. Gigantes diminutos
ante a ira dos deuses. O sangue na areia. Nos ares o odor das lutas de
uma batalha. Os gritos, o sangue jorrando. Partem-se tendões, ossos e
músculos.
A boca seca até rachar os lábios. Sangue do guerreiro.
A demência dos poemas de guerra. Insanidade regada a epinefrina.
Dilatação do tempo e abertura de portas. A percepção do real mito
rápida. Um vacilo e a morte. O movimento no giro do sagrado Martelo.
Destruindo tudo a sua volta para reconstruir em algum lugar da memória
uma história épica. A roda do tempo gira inexoravelmente em todas as
direções.