Hirto
O sono de um mundo sem sonhos.
O
tempo tá viajando e eu não posso ficar hirto. Ando sem sair da cancha.
Vivo de propagação. Vamos pro distante, então. Ninguém está imune à
ninharia alheia. O nada que vem cheio de teorias, preconceitos,
invídia, desinteresse, geada, insensibilidade. Queria a sensação de
torpor acarretada pelo uso oral de substâncias alcoólicas em conjuntura
líquida - ininterruptamente. Mas não queria passar pelo processo que
precede essa sensação - ficar levantando taças, copos, beber no
gargalo. Não, não quero. Com a bebida se demora menos para impetrar
evadir-se do astro. De mim não escapo: assim como um garanhão não foge
do desejo. Fico comigo - sem me amortecer com nenhuma substância
química, placebo, crença, palavra de consolo. Por hoje tá assim. Eu
decido.