Edição 16

Hirto

Cassiano Monteiro

O sono de um mundo sem sonhos.
O tempo tá viajando e eu não posso ficar hirto. Ando sem sair da cancha. Vivo de propagação. Vamos pro distante, então. Ninguém está imune à ninharia alheia. O nada que vem cheio de teorias, preconceitos, invídia, desinteresse, geada, insensibilidade. Queria a sensação de torpor acarretada pelo uso oral de substâncias alcoólicas em conjuntura líquida - ininterruptamente. Mas não queria passar pelo processo que precede essa sensação - ficar levantando taças, copos, beber no gargalo. Não, não quero. Com a bebida se demora menos para impetrar evadir-se do astro. De mim não escapo: assim como um garanhão não foge do desejo. Fico comigo - sem me amortecer com nenhuma substância química, placebo, crença, palavra de consolo. Por hoje tá assim. Eu decido.