Edição 16

Homem-bomba no campo minado

Marcelo Ariel

na condição de habitante do limbo dos homens-marca, do sub-Hades da obscuridade, que é o lugar autêntico onde a vida realmente acontece ...Em mim a feitiçaria da linguagem foi anulada pelo movimento sem sentido dos ex-seres, dos seres-sem-rosto,dos seres-coisa ( Por exemplo um ser-coisa do sexo feminino desenha um mandala em alguns pontos da geografia da cidade-terreno-baldio onde moro, cagando nas esquinas, é uma espécie de assinatura-acupuntura ou grito exatamente como a literatura) Enquanto habitante da obscuridade..da obscuridade que limpa sinto que a literatura no mundo de hoje equivale a um homem-bomba num campo minado e a poesia, uma coisa destroçada e sem-porquê como a rosa de Silesius equivale a presença da névoa no meio da neblina..É o triunfo do efêmero..

Palavras como Deus, eleição, amor,país e outras se tornam apenas camadas cda vez mais densas de opaciamento..Para mim só os sentimentos sem nome..A vastidão dos sentimentos e sensações sem nome me faem seguir em frente em direção a um buraco-negro que por sua ve vêm ao meu encontro como se fosse uma resposta.

O tipo de literatura que hoje encontra eco nos leitores é um nivelamento..Uma imitação das formas-mortas do mundo das marcas-literárias..É um lugar onde a autenticidade e o conteúdo são simulados..O que significa publicar um livro num cenário arrasado como esse?

Acender um fósforo molhado..