Edição 17

A noite derreteu lentamente

Cassiano Monteiro

a última noite derreteu lentamente
lágrimas pontiagudas dos teus olhos
caíram
no meu pé
no meu colo
no meu sexo
enxugo com minha língua  
todas as nascentes
dos teus buracos
que não param de me molhar
secreções
lágrimas
compulsões
o pássaro que fugiu através meu zíper aberto
mora
agora
nos teus lábios
e isso (te) faz calar
e isso me faz (te) suportar