Edição 2

Da conversa com o psiquiatra

Anderson H

Me desculpe psiquiatra amigo... não vai dar!

Quem em sã consciência

Aceita o remédio da demência

À cerveja gelada no bar?

Sim, eu sei que bebo muito

E que o tranqüilizante receitado me ajuda.

Mas ele também me mata

Quando me emudece

E me muda.

Perceba!

Ele quebra exatamente

O eixo central da poesia,

Que é a intranqüilidade

E a alma em taquicardia.

Se continuar assim vou morrer?!

Está certo!

Então me diga...

Parando de beber

Viverei eternamente?

Dificilmente?!

Psiquiatra amigo, gratuitamente

Lhe vai um conselho.

Desvie tua mente da minha

E venha sentir na noite,

Que ora se avizinha,

O batuque das letras.

Venha ser bem recebido

Pelo velho mundo bandido

De braços sempre abertos.

Aqui andamos descobertos

De falsos princípios morais.

Venha que lhe mostrarei o remédio

Dos que não suportam o tédio

Dos dias tranqüilos

E iguais.