Da conversa com o psiquiatra
Me desculpe psiquiatra amigo... não vai dar!
Quem em sã consciência
Aceita o remédio da demência
À cerveja gelada no bar?
Sim, eu sei que bebo muito
E que o tranqüilizante receitado me ajuda.
Mas ele também me mata
Quando me emudece
E me muda.
Perceba!
Ele quebra exatamente
O eixo central da poesia,
Que é a intranqüilidade
E a alma em taquicardia.
Se continuar assim vou morrer?!
Está certo!
Então me diga...
Parando de beber
Viverei eternamente?
Dificilmente?!
Psiquiatra amigo, gratuitamente
Lhe vai um conselho.
Desvie tua mente da minha
E venha sentir na noite,
Que ora se avizinha,
O batuque das letras.
Venha ser bem recebido
Pelo velho mundo bandido
De braços sempre abertos.
Aqui andamos descobertos
De falsos princípios morais.
Venha que lhe mostrarei o remédio
Dos que não suportam o tédio
Dos dias tranqüilos
E iguais.