Edição 3

Soneto

Eduardo dos Anjos

dos Anjos Se te mostras fraco no dia da batalha Quem se importa? Não vem um rato (sequer) bater-te à porta Mas existe sempre um asno a chamar-te de canalha! A vida é um combate sempre inútil E quem de fato quer saber? Pois nunca de fato te irão dizer O quanto és (de fato) sempre fútil!

A vida morreu em um nunca: ontem E a cada hora morremos (sós) com ela Morremos a partir dos nove meses A vida morre sempre pra si mesma A vida morreu como uma lesma Morri também noventa e nove vezes!