Silêncio e solidão
de Freitas Estou no labirinto, tateando no escuro, procurando uma porta, uma saída... O labirinto, sempre o labirinto escuro, sempre a busca por você... Instantes há em que nem te procuro porque sei que não vem, você nunca vem, porém não consigo sair, estou presa e ando a esmo, cambaleando, corpo atravessado por flechas que machucam ininterruptamente...
Flechas que dilaceram pela falta, pela secura, pela ausência, pela impossibilidade... Ajo como uma neuropata, atormentada, esperando talvez pelo nocaute, o golpe final. Antes a negativa, a rejeição explícita, do que esse silêncio calculado e exasperador.
Eu te sublimo o tempo todo, e você pisoteia feliz o meu corpo inerte. Niilista, carrasco, torturador, espreme e esmigalha com seu mutismo minha docilidade agora transformada em amargura, minha resignação quase transmutada em insurreição. O labirinto...
Sinto frio, meu corpo treme, onde está você? Escuro, é tudo silêncio e solidão...