A barata que explodiu
o chão enquanto lembrava da noite anterior quando a barata explodiu. Ali ao lado, ao pé da escrivaninha. Sem saber exatamente de onde vinha, deu de cara com ela como num sonho, sem controle. De seu corpo cascudo saía uma bolha que logo se transformaria nela toda, e que deixava ver seu conteúdo leitoso.
Não sentia a menor aversão pelo fato da barata expandir-se em carne branca, tanto líquida. Ou seus olhos iludiam? A carne era mesmo condensada e saltava branca, nojenta, confessa! Como o corpo, quando deixa a alma, a carne se fingia outra, para irromper em seguida em si mesma.
Uma tripa sempre constrange. Um nervo também, e ainda puxa. De posse de uma vassoura como metralhadora, e a metamorfose enquadrada num ângulo-álibi, se preparou pra varrer o acontecimento de dentro pra fora. Quando, num impacto, o inusitado aconteceu.
A barata explodiu. Era sua carne líquida, que impedida de completar a transformação do casco em carne, espirrava vida na cara do quarto inteiro.