Sobre as flores que colhi no lúgubre
conhece que compre. Mas quem sabe o que vem pela frente não paga tão baixo preço para entrar na súmula parcela de um inferno sadicamente lúdico e particular. Mas tudo bem: “Ainda temos Paris”, semáforos e o velho fast-food, enquanto nossas aspirações mais tolas e desprezadamente sinceras foram revogadas por um juízo que não goza de uma gota de sanidade na tez lasciva...
Quem sabe tudo não passa de um teste? (ou não). Desce o suor. E o suor desce. E becos mal encarados adentro. Sob luminárias desbotadas, turvas, furtivas e conturbadas. Onde inofensivos sacos de lixo viram ameaças eminentes de mal algum. E asfaltos que se enroscam aos pés: Há um inebriante néctar de geladeira.
Um hálito sexy e orvalhado que perturba a turbulenta paciência dos antenados tubarões de caixas d’água. Caixas essas que um dia foram trincadas pela indolência fake auto-destrutiva de quem sabe que veio a esta insólita vida devidamente municiado de balas de cereja para disparar confete paraguaio em alvos de isopor.
Talvez minha desengonçada personalité deva parar com essa mania feia e inconseqüente de regar tulipas com ácido. De desfilar com trator sobre as begônias de mamãe. De fazer a barba com uma moto-serra. Jogar gelo no tapete. De esperar ser alvejado para só depois ir dizer quem diabos eu era afinal.
Mas não. Eu quero subir no teto do carro alheio e te mostrar um truque que aprendi quando pintava o sete durante a infância. Um truque com esponjas de aço. Sim. Esponjas de aço. Me empresta o isqueiro e peça para que deus apague a luz do céu que te mostro.
Te mostro o infinito em brasas de uma liberdade octogonal. E faíscas pirotécnicas. Quase cometas. Pedacinhos de tudo. Exageros de meia tigela... “Bobeira? Não pra mim! Não pra quem sabe ver”. Hey. Não me olhe assim. Eu tenho trabalho a fazer. Garrafas a quebrar.
Universos a criar. Planetas a conquistar. Todo um mundo para deturpar. Milhas a percorrer desgovernadamente. Palcos para dizer “merda”. E tudo isso com um lápis ruminado sob a orelha da cartola. Uma vontade, que beira o desespero, por novas obsessões.
E três notas musicais na manga que podem mover uma montanha de pequeno porte. Quer vir ou vai ficar aí?, no silêncio de suas indagações. Tenho algumas dinamites, que raramente mostro a alguém, recheadas com prazerosas mundanices, banhadas em magnificência “treze” kilates, dentro do porta-luvas.
Sonhos e palhetas. Pois sabemos que sou um mero precito cultural e extremamente individualista que se dilacera ao regurgitar o que há de mais friamente sutil dentre esses cães desalmados e sofistas de merda. Aposte suas calcinhas nisso... baby. Tudo não passa de um poético romantismo cruel onde o mentor mata leão a dentada, mas sucumbe diante os poderes de uma frágil (?) costela.
E essa é nossa arte. Essa efígie do sofrimento. Insano. Maluco. Quem conhece que dê trinta centavos para presenciar mais algumas cenas de auto-flagelo escrito, piedade, néons da heinecken e loucura no seu estágio mais bruto. E eis a saga de um kamikaze em frente ao espelho.
Explodindo tudo. Menos o próprio espelho. Nem o outro reflexo que há (?) – lhe pergunto: há(verá)? – nele... ...O que se passa na cabeça de um homem são??? Não sei. Mas sei tudo que a caneta diz. Ela diz para que eu fique calmo, respire e relaxe. Mas não ouço.
Não consigo ouvir o que não quero. E tremo feito vara verde de um virado a paulista de ansiedade e adrenalina que propagam-se na devassidão de minha ilustre carcaça. Pois não sei bem o que fazer quando pego o telefone e não tenho força o bastante para retirá-lo do gancho...
A demora me mata. Eu não tenho o mínimo vestígio de tempo para gastar com a eternidade. Mas se demoro tanto é porque acenderam as luzes justamente quando eu ia lhe mostrar o infinito em brasas. Mágicas sem ilusões. Mas tudo bem. Ainda temos Paris. E as flores que guardei na geladeira.