Ainda que a resposta seja não
sempre soube que o seu relógio não girava para o mesmo lado que o meu, my dear. Eu sempre soube desse monte de facas apontadas bem pra minha cabeça. Eu vi uma porção de brilhos lá no fundo de uns olhos escuros que devoravam sonhos, corpos, ruídos. Eu não quis nem saber.
Eu quis pular na frente do tiro achando que era de festim, que curava rápido. Mas eu sou uma menina, e mais tola impossível. Achando que existia uma mulher aqui dentro só porque você disse que sim. Tola. Deixei você se tornar aquele cara, aquele me cozinha em fogo brando.
Meu homem que me segura com uma mão só. Minha fóda idiota. O cara que presenciaria meus tropeços bêbados com um ar preocupado, caso pudesse vê-los. O homem parado e recostado na parede acendendo um de seus cigarros, olhando pra baixo e me vendo inteira, em pleno processo de desdobramento.
Aquele que queima por trás dos meus olhos de pecadora infantil. Mesmo sabendo que você jamais seria capaz de me escolher de volta, e não podia por que não podia, sem mais nem menos explicações, apenas o “não podia”. E o eco. Eu queria ser capaz de saber o que você pensava, por que eu cometi esse erro, eu me joguei inteira na tua mão sem saber de nada que tinha por trás daqueles olhos.
Pensando que provavelmente você não me decepcionaria e não decepcionou. Foi o contrário do que eu aprendi melhor durante a minha vida. Não esperar muito mais do mundo do que ele era capaz de conseguir. Mas o mundo nada tem a ver com você, honey. O mundo nada tem a ver com o que eu sinto quando eu te olho.
Nem com a minha febre. E eu fico pensando como é que foi que eu sobrevivi ao descontrole que me rondava o corpo naquele dia em que o arrepio me subiu pela nuca ao mesmo tempo em que pensava enquanto te olhava “try me, baby... try me...”