Esposas
Todas essas flores
Tão delicadas
Ferroam o homem
Como atropelo
Do trem
Na fricção dos trilhos
Esmigalhando sonhos
Toda ânsia
Feliz de cidade
E nenhum sonho
Sobrou da velha
Barriga, dos fios
Que caem
mês a mês
Coisa de homem
De meia idade
Nada pode conter
No trepa – trepa
Infância recorrida
Emoções contidas
Adubo para florescer
Vida e obra
Entre o lixo
O vidro partido
O coração rasgado
Mais um ato:
Ira de infância
Raios e cortes
no seu barato
no meio da noite
você que sabe de tudo
não dá prá ser feliz
no centro da cidade,
entre meia dúzia de copos
e um compromisso ?
viver é apenas
o trovão da sua
voz derramando
os raios de todas
as coisas erradas
sobre o copo que
um dia
sonhou ser poeta
Aliança e papel
Mala cheia de dinheiro
e prole
Duas baratas
dentro de uma caixa
sobraram promissórias
do colo delicioso e só
Os femininos papéis
Marido de chinelo
Canja de galinha
E os masculinos Sinais:
- Só prá tirar uma casquinha
você dá uma bicada
Em todas elas
vai ver você acertou!
Viver não era tudo isso
Descansa de molho
Sempre dando
passagem para
buceta mais novinha
Trovões te rasgam
Tímpanos e pele mesclada
De breu e pimenta
Nada por fazer
Fica o dito pelo não dito
Só teus sonhos idos
E os chinelos
Teus
sonhos idos
Tão fêmeos...
noites a fio
vida dupla
nas tetas de quem te
come o ordenado