Motivo
a palavra amigo me deixa mais calmo. “mulher é bom, mas amigo é sagrado”. tava correndo perto da avenida paulista e imagens começaram a tomar minha cabeça. meu coração começou a acelerar demais. meus olhos choveram. desci num pau só. tô aqui. teve uma vez que tava com a fulana (mulher que um dia amei) num chalé de frente pra uma represa, perto da faculdade dela...
ela tinha me levado café na cama. a gente fez amor, sexo, troca de fluídos orgânicos, trepamos, essas coisas. de repente eu comecei a chorar. era um choro muito sentido. sentido lá dentro. tava, fazia algum tempo, sem usar drogas, e por isso não podia culpar aquelas substâncias químicas alteradoras de humor pelo meu choro.
se bem que uma imagem, um pensamento inadequado, um dia de chuva também alteram o nosso humor. placebo? pra mim isso não existe. é tudo um grande placebo: da bíblia ao gibi, por exemplo. um pensamento pode te matar mais rápido que veneno. tentei fingir que tava precisando ir ao banheiro, mas ela percebeu e perguntou: "o que aconteceu?" eu disse: "não sei...eu tô triste".
"mas por quê, me fala... por favor ". pediu carinhosamente. ficou tão preocupada que eu disse que tava triste comigo, que tava mal por não amá-la como achava que ela merecia ser amada. no fundo eu falei qualquer coisa pra não dizer que não sabia o motivo.
mas o que eu disse a ela não era mentira. "qualquer motivo serve pra quem quer motivo".