Edição 7

Oxumaré

Eduardo Lacerda

Para Israel Azevedo

A escada é-me uma serpente

que curva-se, e desce.

Como quem deve e descende

de quem sobe. E cresce.

Ela cresce em cada passo que

me desse. / (olho-a pelo

espelho) Olho-a pelo espelho,

sem olhar-me para trás.

(Lembro-a de pequeno –

não sinto como hoje, mas

quando a subia com medo

como hoje não se faz –)

– tinha medo dos maus

e procurava-os,

sempre abaixo, pelos

brilhos de cera

nos degraus.

(nunca encontrei nada,

a escada é uma espiral.

:

impossível uma

queda

impossível um

tombo.) /

Sou a serpente, uma escada

que, em seu próprio lombo,

galga.