Edição 7

Oxumaré

Eduardo Lacerda

escada é-me uma serpente que curva-se, e desce. Como quem deve e descende de quem sobe. E cresce. Ela cresce em cada passo que me desse. / (olho-a pelo espelho) Olho-a pelo espelho, sem olhar-me para trás. (Lembro-a de pequeno – não sinto como hoje, mas quando a subia com medo como hoje não se faz –) – tinha medo dos maus e procurava-os, sempre abaixo, pelos brilhos de cera nos degraus.

(nunca encontrei nada, a escada é uma espiral. : impossível uma queda impossível um tombo.) / Sou a serpente, uma escada que, em seu próprio lombo, galga.