Edição 7

Incesto do pão nosso de cada dia

Rogério Saraiva

Estavam ali sentados em um lugar público, um de frente para o’utro, ela de olhos vermelhos e com uma voz trêmula explicava porque era tão triste.

- ...depois das pancadas que acontecia, ele ainda toda noite vinha no meu quarto. Eu fingia que nada acontecia, fechava os olhos pra que tudo aquilo acabasse logo, mas o tempo não passava...

Ela desabando em um choro calado por alguns segundos, notou a expressão dele, seca e serena.

- Desculpa por está falando essas coisas.

- Desculpo, mas isso não é problema meu.
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