Conheço meninas assim, perdidas...
conheço meninas assim, perdidas. meninas revestidas de gin e dor. meninas que ouvem jazz e caminham noite adentro, sozinhas, dentro de um blues. e suas vidas são eternos tangos. legítimos gardeis. e seus homens sempre serão meninos. meninas que carregam consigo todos os sonhos de mulheres antigas. e o sorriso cansado das velhas senhoras que enrolam nas coxas charutos cubanos.
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a vida é isso mesmo, meu amigo
é esse trem desembestado do lado de fora da sua porta
nós, ordinários, não viveremos grandes aventuras
apenas nossos fígados vivem no limite
nós não
colhemos aqui e ali momentos
aquela gargalhada interminável
aquela trepada
aquele filme fudido
aquele poema...
aquele momento único em que você olhou a estrada e se deu conta da viajem
o último copo de gim, o último cigarro da noite
e um velho blues que te lembra New Orleans