Sobre a fuga do amor e seus mistérios
Bateram à minha porta em 7 de julho, eu já havia partido.
Mas
um dia estive ali, frente a frente com o seu assombro e o seu
encantamento. Seu ímpeto de navegar como um marinheiro sem porto, vendo
apenas o oceano.
Sentimos o gosto salgado da impagável
aventura, reinventamos beijos, palavras diáfanas, versos profanos,
enquanto você lambia meu ventre de odalisca que fez arder seu juízo.
Depois não havia mais ninguém.
Ulisses se desfez do barco róseo do meu afeto e, quando dei por mim, minha alma também havia partido.
Salas
e quartos fechados. A solidão do sótão de janela única a ligar com luz
o embrião do êxtase à fuga promissora da minha liberdade de loba, a que
contempla a vida das montanhas, sem nenhum passado e sem exercitar
futuro.
O amor é uma paisagem que perdi tantas vezes. Mas se desisto dela, talvez a reencontre. É sábio e triste o coração humano.