E a madrugada choveu
a madrugada choveu. E eu não dormi e também não vi a chuva. Só o asfalto molhado e o cheiro da chuva. E o domingo ta com cara de outono. Do jeito que eu gosto. Gosto de caminhar. E eu não tenho carro. E nem quero ter, porque eu gosto muito de caminhar.
Caminhar olhando pra multidão sem rosto e para as construções antigas. E imaginar quanta coisa não aconteceu por ali muito antes de eu existir. Eu tenho muito que fazer, mas agora eu vou calçar meu tênis. E vou andar. Vou atravessar a Avenida Higienópolis, subir a Angélica e me encontrar com a Avenida Paulista.
Centro de tudo. Atravessar a Paulista como sempre faço. Olhando todos aqueles prédios altos e imaginar todas as decisões que saem dali. Do interior daquelas janelas. Fotografar mentalmente cenas urbanas. Gosto disso. Se tiver sorte ainda chove e eu vou tomar um belo banho de chuva, iguais àqueles que a gente tomava quando criança, desprovido de qualquer culpa.
Não correr dos pingos de chuva. Curtir cada gota e voltar pra casa. Porque no fim de tudo eu sempre volto. Eu gosto dela. Da minha casa. E acho que ela também gosta de mim