Meta
enorme e estava cheio de bonecas de pano. -Mãe...? Uma das bonecas chamou minha atenção. Seu vestido era lilás e seu rosto parecia muito com o de minha mãe. Peguei a boneca e fiquei admirando. Tive a nítida impressão que a boneca sorrira. -Ora. É só uma boneca.
Joguei-a para dentro do baú e quando ia fechar a tampa senti dois braços fortes me empurrando para dentro da caixa. Foi tudo muito rápido e desmaiei. O som vinha de muito longe. Parecia a voz de Marcos. Tinha mais alguém com ele. -Fica tranqüilo meu filho.
Ela vai aparecer. -Dois dias Dona Luiza. Dois dias sem dar notícia. Era a voz da minha mãe. Estava escuro. Parecia que eu estava em um lugar trancado, sem luz, sem ar. Tentei gritar, mas a voz saiu fraca. -Marcos! Estou aqui. Ajude-me! Não conseguia identificar o lugar onde estava.
A voz do rapaz parecia se distanciar. Tinha que reunir todas as minhas forças. –SOCORRO! Marcos! SOCORRO! Foram gritos alucinados. Perdi a conta de quantas vezes gritei por socorro. Foi quando levei um susto: O telhado se abriu e um rosto enorme apareceu.
Quase enfartei de susto. Parecia um gigante... Minha voz sumiu na garganta. Fiquei paralisada. Era Marcos e minha mãe. -Ora Dona Luiza. Aqui só tem bonecas de pano. Eu não disse que era só sua imaginação? Saíram e desmaiei novamente. -A senhora reconhece algum deles?
O detetive apontou através do vidro: Seis homens enfileirados. Rosa estava segurando o choro enquanto olhava atentamente, um a um. -O terceiro. -Tem certeza? -Olha certeza, certeza, eu não tenho. Sofro de miopia, não vejo bem de longe. Eu tenho certeza que os outros não são, a pele era morena como a do terceiro.
-Hum... O policial coçou a cabeça e disse ao colega: Traga o rapaz aqui, o terceiro, vede os olhos dele para que não veja. -Não. Não precisa. Deixe ele me ver. Quero que saiba que fui eu. Não me importo. Trouxeram o rapaz e a moça apoiou o braço na parede, estava enojada, levou a mão à boca.
-Está se sentindo bem? Quer um copo d”água”? O policial percebeu sua súbita palidez. -Não. Não precisa obrigado. Abaixou o rosto e vomitou no canto da sala. -Por favor, Dona Rosa, diga logo e retiro o meliante, assim se sentirá melhor. Reconhece o pedófilo que estuprou sua filha?
-Não. -Não? -Não é ele. Tenho certeza. Saiu em direção à porta e quando passou ao lado do rapaz, parou e olhou bem nos seus olhos. O rapaz virou de costas, não queria que ela mudasse de idéia. Dona Rosa, como se tivesse planejado, o abraçou por trás enquanto, ao mesmo tempo e sem piedade, enfiou fundo uma faca afiada em seu coração.
As mãos juntas, firmes, não desprendiam, por nada. O sangue jorrava junto aos gritos do bandido, os policiais tentando tirá-la e a lâmina fundo, contraindo toda musculatura do corpo que estrebuchava. -Tira ela... Solta! Num tranco tiraram Dona Rosa e a faca ficou lá, cravada fundo enquanto o rapaz agonizava no chão da sala.
Dona Rosa segurou o peito e num segundo viu tudo escurecer. Enfartou ali mesmo. Enquanto faziam os primeiros socorros, a mulher abriu os olhos e sussurrou: -Perda de tempo, eu vou morrer. -Não. A senhora tem que reagir, fique calma. Teve uma parada cardíaca e o médico de plantão teve que usar o desfibrilador.
Por sorte tinha comprado um na semana passada depois que um policial falecera por demora no procedimento. -Ela voltou... A senhora vai ficar bem, vamos levá-la ao hospital. -Não... Deixe-me morrer. O pulso estava fraco. O policial disse: -Dona Rosa, o pedófilo está vivo não morreu.
Ele escapou e a senhora também vai viver. Ela abriu os olhos a procura do infeliz e começou a reagir. -Pronto. Apliquei um sedativo, agora a levem ao hospital. Por que disse que o cara estava vivo? Ele já agonizou faz tempo. -Ela reagiu não foi?