Nórdica
avançava nas sendas sentia a lasciva serpente crescendo enrolada em algum ponto abaixo. Pronta a subir deslizando. Apontava o olhar ao horizonte e caminhava sem fixar um pensamento sequer. Controlava os redemoinhos de fúria que insistiam em aflorar quando passava por uma injustiça.
Descartava dessa forma a dama cega com sua balança mítica criada pelos homens. Preferia as florestas insondáveis por onde andavam panteras devoradoras de desejos. Onde predadores injustos saciavam sua fome ao primeiro erro. Perdeu-se no deserto tórrido que o rugido de seus pensamentos varriam do horizonte cada vez que queria chorar.
Contemplava as negras nuvens carregadas que lançavam seus raios para as profundezas de sua alma. Descartando céus e infernos a cada novo ciclo que pretendia vislumbrar. Como espectro vagou quando a luz o tocou. Bradava pelos cantos frios do norte palavras de revelação.
Anteviu o caos, sem retorno ao paraíso. Sobre a cripta santa bradou a carnalidade dos deuses e foi amaldiçoado. Como se véus caíssem como folhas secas no outono um a um seus amigos o abandonaram. Louco, diziam os mais afetuosos, herege os mais radicais.
Antropomorfistas chamava-os pelos cantos. Não veriam versículos à hora de Mrtyukala. Olhou a natureza a seu redor reconhecendo apenas a energia que fluía. Tudo atraindo ou repelindo energias através de escolhas momentâneas, através de caminhos trilhados.
A razão sem consciência. A existência humana reduzida a frases feitas de amor e ódio. A necessidade como finalidade suprema.