RDI cb BECKA
Blues
na
escuridão de cobre. Velas com as chamas vermelhas.
Luz,
lâmina fria no cabelo preto da arquiteta noiva fora de hora.
Joga-se
ouro do terraço do Altíssimo
prédio
e caem pedaços de carne podre numa marmita (cobertores pretos, brancos,
amarelos).
Castelos
góticos de areia. Cristais de sangue brotando como cicatrizes na cidade
degradada.
Dois
santos brincam de cabo de guerra. Outro esmaga um pássaro com o pé. O
silêncio dos infames é comprado pela bagatela de 2 reais.
A
luz oblíqua do inverno sobre o letreiro vermelho que conta em
centésimos de segundo o dinheiro desperdiçado é a mesma (democrática)
que acende o sorriso do jeito de andar da cidade repleta de noivas. Eu
me casaria com a arquiteta ao som de canto gregoriano. Eu seria o
amante sentado na última fileira no dia do casamento, rindo por dentro
do noivo corneado minha incompetência pra canalhice. Eu morreria e
renasceria como o Anjo Exterminador parado em frente à Igreja. Eu
sopraria o vento em direção contrária, saindo pelas janelas do Edifício
São Vito e dinamitando o Martinelli. Eu voltaria pra casa arranhando a
janela do ônibus.
A única beleza espontânea desse dia foi aquela que aumentou sua solidão.