Edição 14

Maria Flor

Luiza Borba

A Flor é mais... bem, você sabe como são as flores. Uma flor que murcha com muito sol, ou com bastante chuva. Uma flor que se protege, por não gostar de aproximação. Acredito que a característica principal de uma flor seja a timidez. A timidez falha. Que não gosta de contato, que teme tanto e sente-se tão frágil, que tem quase a pretensão de se isolar, mas uma vez nascida, faz-se notar. A timidez que não consegue esconder.

A timidez que floresce beleza, que faz a diferença sem perceber. A timidez repetida inúmeras vezes num texto. Por quê? Vai saber.

A Maria eu sei que sabe. Essa menina sabe, e não sabe, ela sabe sem saber que sabe, porque na verdade ela não quer saber. De nada. De verdade. Ela que é força, que é vida batalhada, que é o que é a muito custo, porque o dia não nasceu para ser fácil, que foi andando sem entender onde tinha se perdido, ou se encontrado, sem ter noção do que estava fazendo ali, e que foi, e que sou, e que sorrio ao escrever isso. Sei algumas coisas do mundo. Tenho certeza de que há beleza em esquinas cinzas, e que as coisas não são unicamente as dificuldades. São coisas. Devem ser tratadas como coisas. Respeitadas e amadas. Aprendidas e recicladas. Devem ser lavadas, ou varridas, e conservadas na memória. Nunca se esqueça da graça da menina, e então os dias não terão fim. Só continuação.