Edição 15

Apelidagem

Paula Klaus

Todo mundo têm, todo mundo gosta de botar. Tem gente que não gosta de estar nisso mas a coisa pega, não tem jeito que dê jeito. Com certeza você já teve um. Os piores são aqueles do tempo do colégio, quem usou óculos ou aparelho nos dentes não me deixa mentir.

Apelidos vêm e vão, como tudo na nossa vida. Alguns pegam e ficam escarificados na carne, outros passam batido numa brincadeira esquecida. É, tem gente que consegue constranger pois não sabe medir o tamanho do apelido. Tamanho e profundidade. As consequências podem ser catastroficas, dependendo de senso de humor do apelidado.

Eu já tive diversos apelidos. Tive um problema na vista e foi preciso usar um tapa olho no olho direito, e ainda o óculos, por quase seis meses. Me chamavam de Pirata, um engraçadinho ainda quis complementar e acrescentou Power: Pirata Power. Noutra época cortei o cabelo bem curto, fiquei com algo que lembrava um cogumelo gigante na cabeça, dessa vez foi Sansão. Queria morrer com isso, brigava, chorava e xingava, não aceitava a zoação. Com o tempo fui cansando de bater na mesma tecla e eles (meus apelidadores) foram desistindo de me infernizar. Rá! Descobri a pólvora, quanto mais alguém se incomoda com a coisa, mais divertido fica. Um bom exemplo é a eterna insatisfação feminina - não pude deixar de tocar no assunto - quanto mais os caras demonstram não estarem nem aí, mais elas capricham em suas dissertações auto-piedosas. Essa descoberta me rendeu umas inimizades bem bacanas. Saudades da sétima série!

Deve-se ter cuidado ao apelidar alguém, pra evitar situações embaraçosas. Conheço gente que deve se espantar quando alguém chama pelo nome, e gente que deve cogitar a possibilidade de suicídio devido a falta de originalidade de seu apelidador. Ser chamada de Nariguda não vai me custar mais que dois ou três anos de análise, né Pierre?

Calma lá, não vamos sair por aí analisando fulano-de-tal pra arranjar um jeito de esculhambar aqueles doze quilos que sobram da camisa xadrez do coitado que nem conhecemos direito senão de vista. Isso aí não tem nada a ver com tiração de sarro (que fica bem quando é saudável) mas sim com falta de respeito.

Um bom apelido respeita a intimidade de cada um, não agride a moral nem não ultrapassa o limite da amizade. No fim, acaba até virando homenagem. O jeito é deixar claro se você é do tipo que se diverte na brincadeira ou se prefere ficar de fora desse balaio.