Apelidagem
Todo
mundo têm, todo mundo gosta de botar. Tem gente que não gosta de estar
nisso mas a coisa pega, não tem jeito que dê jeito. Com certeza você já
teve um. Os piores são aqueles do tempo do colégio, quem usou óculos ou
aparelho nos dentes não me deixa mentir.
Apelidos vêm e vão,
como tudo na nossa vida. Alguns pegam e ficam escarificados na carne,
outros passam batido numa brincadeira esquecida. É, tem gente que
consegue constranger pois não sabe medir o tamanho do apelido. Tamanho
e profundidade. As consequências podem ser catastroficas, dependendo de
senso de humor do apelidado.
Eu já tive diversos apelidos.
Tive um problema na vista e foi preciso usar um tapa olho no olho
direito, e ainda o óculos, por quase seis meses. Me chamavam de Pirata,
um engraçadinho ainda quis complementar e acrescentou Power: Pirata
Power. Noutra época cortei o cabelo bem curto, fiquei com algo que
lembrava um cogumelo gigante na cabeça, dessa vez foi Sansão. Queria
morrer com isso, brigava, chorava e xingava, não aceitava a zoação. Com
o tempo fui cansando de bater na mesma tecla e eles (meus apelidadores)
foram desistindo de me infernizar. Rá! Descobri a pólvora, quanto mais
alguém se incomoda com a coisa, mais divertido fica. Um bom exemplo é a
eterna insatisfação feminina - não pude deixar de tocar no assunto -
quanto mais os caras demonstram não estarem nem aí, mais elas capricham
em suas dissertações auto-piedosas. Essa descoberta me rendeu umas
inimizades bem bacanas. Saudades da sétima série!
Deve-se ter
cuidado ao apelidar alguém, pra evitar situações embaraçosas. Conheço
gente que deve se espantar quando alguém chama pelo nome, e gente que
deve cogitar a possibilidade de suicídio devido a falta de
originalidade de seu apelidador. Ser chamada de Nariguda não vai me
custar mais que dois ou três anos de análise, né Pierre?
Calma
lá, não vamos sair por aí analisando fulano-de-tal pra arranjar um
jeito de esculhambar aqueles doze quilos que sobram da camisa xadrez do
coitado que nem conhecemos direito senão de vista. Isso aí não tem nada
a ver com tiração de sarro (que fica bem quando é saudável) mas sim com
falta de respeito.
Um bom apelido respeita a intimidade de
cada um, não agride a moral nem não ultrapassa o limite da amizade. No
fim, acaba até virando homenagem. O jeito é deixar claro se você é do
tipo que se diverte na brincadeira ou se prefere ficar de fora desse
balaio.