Edição 16

Exú e as marafas literárias

Jarbas Capusso Filho

Quando atravessei a sala com a tigela com frango e a marafa, vi o exu na biblioteca, folheando Tolstoi. O problema de alguns exus é esse, a pose. Ah, e os clássicos também. Bebem caninha tatuzinho e arrotam Guerra e Paz. Uma merda. Mas nesta fase eles ainda são inofensivos, os problemas só começam de verdade quando eles se põem à ler Henry Miller. É por isso que sempre valeu a máxima que as pombas-gira amadurecem mais rapidamente que os encostos do sexo masculino. As giras sempre são mais pé no chão. E se preocupam com a camisinha e fazem poupança. Muitos não deixam seus exus subirem no sofá ou circularem pela sala. Eles viciam fácil, fácil. Mas sempre tem um que a gente gosta mais, não é? Além disso, essa história de que exu pode fazer mau às pessoas, é uma grande balela. Podem, se muito, citarem Paulo Francis às quatro da manhã. Antes de sair sempre confiro o despacho do meu. Senão, ele passa a noite arranhando a porta. E ninguém consegue dormir. Afinal de contas, o exu é o melhor amigo do homem. Não é?