Exú e as marafas literárias
Quando atravessei
a sala com a tigela com frango e a marafa, vi o exu na biblioteca,
folheando Tolstoi. O problema de alguns exus é esse, a pose. Ah, e os
clássicos também. Bebem caninha tatuzinho e arrotam Guerra e Paz. Uma
merda. Mas nesta fase eles ainda são inofensivos, os problemas só
começam de verdade quando eles se põem à ler Henry Miller. É por isso
que sempre valeu a máxima que as pombas-gira amadurecem mais
rapidamente que os encostos do sexo masculino. As giras sempre são mais
pé no chão. E se preocupam com a camisinha e fazem poupança. Muitos não
deixam seus exus subirem no sofá ou circularem pela sala. Eles viciam
fácil, fácil. Mas sempre tem um que a gente gosta mais, não é? Além
disso, essa história de que exu pode fazer mau às pessoas, é uma grande
balela. Podem, se muito, citarem Paulo Francis às quatro da manhã.
Antes de sair sempre confiro o despacho do meu. Senão, ele passa a
noite arranhando a porta. E ninguém consegue dormir. Afinal de contas,
o exu é o melhor amigo do homem. Não é?