Banquete
de Alencar Um diálogo, palco italiano. - Dá teu pescocinho.- Fungou. - Mania de vampiro, é, Banguelo? - Pra te sugar somente um dente preciso. - Taradinho. – Arrebitou-se. - Biquinhos gostosos. – Apertou-lhes as pontas. Durinhos. Prontos pro abate. - Ai, não aperta tanto.
Dói. - Soldados perfilados à revista, promovidos a meus generais. - Você dizia que era um casal de pintinhos. - Perto de ti, cada encontro é uma inspiração. Hoje, acho neles um sentido militar. E daí? Mãos cravadas nas coxas inchadas de tesão. - Ai! Cafagestezinho.
Lábios colados mascando um mesmo chiclete. As mãos ansiosas machucam o grelinho delicado. Ela dá o troco. Agarra, febril, saco e pau juntos. - Ui! - Ta doendo, né? - Mas tá delicioso. - Lembra? Foi só você soltar o queijo e eu créu. - Eu, o corvo. Você, a raposa.
A dama sussurra, após solta um peido quase silente: - Me virei do avesso por você. Até no meu cuzinho você buliu. - Cabo a rabo. O suor no pescoço dela, o odor natural das axilas e dos seios túmidos. - O que ganhei em troca? - Eu, ué. - Mas suas visitas estão ficando cada vez mais raras.
- Eu não quero espantar seus clientes, nossa renda pro futuro. Pra compensar a raridade, eu capricho na intensidade. - Tá a mesma coisa. - Como? - Intenso como sempre. Entre nós, sempre fogo, nunca água, nem morna. - É verdade. Mordem-se mutuamente. Ele devora um pedaço da orelha dela.
Ela come-lhe a ponta do nariz. De um bote, ele engole-lhe a cabeça. Com seus seios, ela esmaga-lhe o corpo. Dos dois, sobra uma só massa lúbrica. Aqui e ali, entremostra-se um lábio tapado por um seio suado. Em um braço, o nome de eternas mulheres. No outro, relação de homens provisórios.