Edição 2

Zen em templo de guerra

Cássio Amaral

bêbado desiquilibrado bate a cabeça na porta do supermercado e caí. A ambulância socorre meninos metralhados por neonazistas com cabelos raspados, calçados de coturno e parecidos com punks. Sangue no jornal, tufão na Ásia, o calor matando milhares de pessoas em todo mundo.

Apocalipse geral, tudo normal, tudo parece bem afinal. Um poeta tropeça nas nuvens, tentando achar o verso inesperado na agressão mais lírica no átimo de sua composição. A partitura famigerada do bizarro, usada no canto diário dos indigentes, das prostitutas, dos famintos, dos cancerosos, dos aidéticos, dos marginalizados.

Cães silenciosos mordem o próprio rabo. O lixo é luxo, o luxo é lixo. A tv nos emburrece a cada dois segundos. O mundo e seus revivais, a História para nos mostrar uma caminho, fazer uma crítica, nos apontar o porquê de tanta mazela hoje. A economia venceu o Estado.

E a nossa escravidão é tão bela que sem ela somos meros sadomasoquistas fazendo apologia à uma peça do Sr. Marquês de Sade. Sexo à vontade, bebidas, chapação, drogas, paranóias mil no embalo de "Hoje é festa lá no meu ap". O mundo evoluído, muita informação, carne com hormônio, comida intoxicada, pagode de bregas, sertanejo de cornos, música de péssima qualidade, na mídia comunicação manipulada.

As notícias atravessadas e rasgadas por quem tem o poder e domina o mundo. Tudo caos, tudo maus, silêncio absoluto diante dos considerados bandidos. Aplauso e muita pompa para os legisladores colarinhos brancos. Eu de frente para o Grande Hotel de Araxá/MG, vendo o lago num momento zen, acalmo a trombose diária.

O verde para limpar e tirar a iniquidade de todo o sofrimento e rearmamento da guerra que rola dentro do sujeito dito humano .