O mundo é um caranguejo
comparsas de prozac, agora eu vou abrir a dentadura e cuspir verborragia porque não tá fácil! Cada vez mais crescem mamonas assassinas e morrem beths balanço. Outro dia vi um anão de jardim espancar uma bala juquinha em pleno Morumbi lotado, e o pior é que o cidadão nem sentiu remorso.
Puxou a coleção de facas ginsu e, ao ver que o time do coração não marcara o gol e perdera a partida, meteu a lâmina na carcaça da figura. Saiu de lá com a bandeira no bolso, a cara de tragédia e um cauby na cachola, enquanto a torcida do time adversário pisoteava o cadáver na comemoração da vitória.
Semana passada – ou no ano passado, sei lá, memória é pra quem acha que as coisas valem a pena – vi na televisão que um pastor alemão trepou tanto com uma boneca inflável di menor que gozou purpurina em preto-e-branco e agora não tem grana pra cuidar da prole de pingüins de geladeira.
Os papagaios de pirata logo denunciaram a fodeção e o cachorro teve de correr atrás de trampo e dos papéis pra assumir o casório, ou ia levar chumbo da família da ninfeta. A amarração foi transmitida em rede nacional, com luzes e flashes para todo lado e presença garantida dos imperadores de kichute, o que incluiu até os anões do orçamento: Dunga, Soneca, Zangado e companhia ilimitada.
Nos anais da igreja – opa, como assim? – corre à boca miúda que vão santificar um brasilguaio. O cara nasceu falando esperanto, aprendeu a tocar pagode com três semanas de vida, leu e entendeu a obra completa de paulo coelho antes dos cinco anos (o que, diga-se de passagem, não é lá muito difícil) e decifrou o mistério universal da invenção do homem e do estabelecimento de deus.
O primeiro fascículo da obra com a revelação do sentido da existência sai na próxima semana encartado na revista caras, como parte da visita do carranca à aparecida. O único problema é que o mago não fala português. A obra é pra quem manja de grego futurista.
Anteontem fiquei sabendo que umas barbies tresloucadas compraram a coca-cola. Após uma longa negociação que durou vários anos e muitas propinas, conseguiram que a multinacional passasse o domínio da groselha para as bonecas. Elas já revelaram que vão abrir o código do produto ao mercado e registrá-lo (?) na creative commons.
Mas ainda vão manter uma versão fechada da gororoba, rosa ao que tudo indica e com pitangas de farinha de fubá. Ontem outra coisa chamou a atenção. O mercado de pulgas foi infestado por cães farejadores de maconha. Todos estavam doidões e correram à praça pública lacrimando a solidão ao verem as pulgas saírem da pelagem.
Ficaram uma caralhada de tempo assistindo ao show de rumba das pulguinhas, aplaudindo nas horas erradas, fingindo apreciar o teatro malfeito... tudo pra forjar simpatias. Ao verem que as microscópicas não davam bola, sacaram as uzis e começaram a disparar pra todo lado.
Na somatória geral, morreram cento e trinta e sete borboletas da microsoft, noventa e oito cantores de pagode, trinta e dois apresentadores de programas dominicais e mil duzentos e oitenta macacas de auditório. As pulgas escaparam ilesas e amanhã apresentam seu show em las vegas.
Sem conseguir entender esse forró universal, liguei meu som no último volume, pus os óculos escuros, abundei-me na poltrona, peguei uma bula de remédio e comecei a ler. E ainda dizem que a cultura é inútil.