Finito
oba! o mundo quebrou de novo
o grande espelho em cacos
mil reflexos e nenhuma
lembrança do teu vácuo
um dia a maior felicidade.
Agora dentro da bolha da dor
outro abismo infernal
- não gosto, decididamente, desse papel:
a mentira que constrói
castelinhos de areias - reais ou virtuais-
sem exceção tem sempre
os mesmos figuras
tem falcão traiçoeiro
tem pavão predador
até lagarto cinzento
todos com suas grandes lábias geniais
comendo todas as passarinhas.
E na balança de dentro
pratos em perfeito equilíbrio
- esse fiel, eu sei...
ainda que alienígena
implantado à força
me protege inteiramente.
Mas nem que você queira,
infelizmente nada mais me abala.
E do saco escuro de ninar
olho para você dias atrás
das cores lindas que era você
na minha vida e em minutos, apenas
uma mancha no asfalto da lembrança
sem ter mais nada que viver ao teu lado
- meu bem -
eu arremesso minhas asas
com maior envergadura,
porque agora ninguém mais
se interpõe entre
eu e o céu.