Edição 4

Metafísica dos coiotes

Cássio Amaral

Rasgo o trago do imprevisto

que distrai o tempo que passa rápido.

Canto o cântico dos malditos que me cai.

Tudo vaza, tudo explode.

A noite é lenta quando lírios conspiram

contra a sorte perdida.

Lâminas que a incerteza jura fatiar para a salada

de nepotismo barato e regular da gargalhada da noite.

Bebo as estrelas virgens,

Como os meteoros platônicos,

latindo, uivando pra lua prostituta

que cavalga numa nuvem

o sexo santo dos devassos.