Epitáfio
nasci às 16:40 de um janeiro distante. hospital dos servidores públicos de são paulo. horário de verão e calor sepulcral na cidade de concreto. olhos nostálgicos castanho esverdeados. na esfera da epiderme, sem suturas, minha sina é existir aberta e precipitada.
ossos e músculos me carregam sobre alcunhas diversas - bobagens - vomito bobagens. exagero nas cores do que me anima e na amplitude do meu abandono. coleciono xícaras de café. na estante empilho cds em linguagem diametralmente oposta às boas leis estruturais.
sou neurologista - leio radiografias e reconheço lesões e nervos entranhados. ausculto possibilidades na esfera de minha existência. aspiro fugas e insanos instantes. teorias mutantes tramelam seus estampidos e ecoam no aparelho metálico: 33,33,33. o que transborda em mim grito em palavras estampadas.