Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar
veste a ventania soprano desse festival de amor. O enfeitiçado esgueira-se mata adentro num uivo solo a desperta do torpor. Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar. Luz negra tinge de azul a musa morta. Curvado como um servo à sua esquerda, Lupus, o lobo, a espera e vigia a porta.
Observa-a e a seus próprios pêlos se levantarem. Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar. Arrasta-se mendicante, demarcando seu território. Por covardia e devoção, lambe suas mãos. Só eles conhecem o verdadeiro dia febril. Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar Seminua, semicerrados os olhos arrepia-se enquanto Lupus enrosca-se cambaleante em seu corpo.
O amaldiçoado levanta-se. Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar Quebrado metade de seu encanto meio humano, meio fera toma-a em seus braços e amorosamente a dilacera. Na terça os lobos tiram as vampiras para dançar Lágrimas famintas e desejos saciados inundam seu coração assassino.
Blasfema contra si e volta ao covil para se recompor até a próxima segunda, pois na terça os lobos tiram as vampiras para dançar.