Deus Ex-Machina
para Rogério Fernandes Pouco me importa que a chuva me molhe se estou à calçada. Mas se estou à calçada (a um passo deste fluxo, que me separa do outro lado, dessa enxurrada que é de lama, mistura de água e desta gente de barro) é por que eu não misturo.
E, se por descuido, um Deus ex machina , por simples desvio do buraco ou da lombada alterar o meu destino, eu sigo em frente, parado. Pois ainda que grite : filho-da-puta! ao súdito sem culpa nada secará a água que não veio da chuva.