Deus Ex-Machina
para Rogério Fernandes
Pouco me importa
que a chuva me molhe
se estou à calçada.
Mas se estou à calçada
(a um passo deste fluxo,
que me separa do outro
lado, dessa enxurrada
que é de lama, mistura
de água e desta gente
de barro)
é por que eu não misturo.
E, se por descuido,
um Deus ex machina ,
por simples desvio
do buraco ou da lombada
alterar o meu destino,
eu sigo em frente, parado.
Pois ainda que grite
: filho-da-puta!
ao súdito sem culpa
nada secará a água
que
não veio da chuva.