[Sincronismo mudo]
becos sujos e um asfalto incandescente. Sangue que pulsa febril em corpos em contato com outros, na doce dança das bailarinas aleijadas. Chuva que varre da alma um desejo autodestrutivo. Ergueremos um novo campanário. Não há mais novidades em brincar com a morte em noites em claro, improvisar joguinhos sujos.
Lixo consumido com alegria por uma juventude muda, perdida em um sincronismo inconseqüente. Súplicas a um deus de gás metano e carne humana servida quente. Vermes que consomem vidas e vendem escravas para alimentar desejos sujos. Somos velhas prostitutas nas ruas vazias do centro de nossa cidade, mendigando clientes, vendendo nossa liberdade absurda para mentirosos, traidores ou qualquer um que nos de um momento de distração sem dor.
...em um momento de uma lucidez avassaladora, vislumbro sobre o asfalto quente, as asas decepadas de um pássaro perdido que derrama lágrimas silenciosas. Abafadas por uma turba descompassada, cega, que prossegue torpe em seus 120 dias de Sodoma. ...comparsas na celebração da vida.
Roendo velhos ossos nas ruas devastadas por uma guerra social.