Ao cumprir missões
cumprir missões, quem não tem, caça com o que acha ?Me perco nessa névoa pachorrenta de fumaças... Os opiatos eram mornos e sopravam as cinzas da alma...? ?Sabes? Parece um anômalo gotejar de sangue, esses recreios, que falam por aí...? ?Quais recreios?
Estou a te falar de ópio e seus cachimbos enigmáticos, suas fugas excêntricas... e não de nuvens farsantes de heroína. De ópio puro, quando cativa a alma.? Ia bem mesmo o papo ali em frente, ele busca ópio, eu isso e mais carteiras. Acho que me sentarei mais perto do casal, a conversa me apetece, qual uma canção.
De repente, a carteira cheia que tanto busco, entrará aqui no bar. Ilusão minha, que uma carteira virá a esta freguesia. Ando meio tonto ultimamente. Arquiteto pequenas romarias a bolsos perdidos no meio das ruas. Já pensei, em ir a um bom Banco e transformar meus sonhos em um lago de cisnes patinadores.
O bonde aguarda paciente minha chegada em sua última rodada da noite. Finalmente o casal levantou do bar e foi buscar flores, numa florista em outra esquina. Silencioso, sai em busca da carteira. Hoje os fregueses de meus ágeis dedos, estavam taciturnos, bolsos vazios.
Deve de ser mais uma das crises que tanto falam. Volto, com uma pequena beata que achei na rua, perdida, sem amargura. A maconha também trará algum efeito, não como o ópio, com toda certeza. As luzes tremem no campo vazio àquela hora da noite. Aguardo uma nave que me leve de volta para casa.