Hermenêutica lupina
Aguardam-se longos caninos destes dedos que se desfiguram em sangue.
À noite qual uma várzea grande me esconde as fumaças brumosas.
Intolerância!
Não
nos escritos. Não creio em censuras acho-as dilacerantes. Meu eu
licantropo de há muito ri dos pequenos erros humanos. Hermenêutica.
Nem
nos passos alados de Hermes há segredos. Atrofiar o sonambulismo
opiato? As palavras são livres, já dizia Aluísio de Azevedo.
Transporto-me
ouvindo aquele grito mais velho do Coruja. Lá, anterior a minha
rapinada, encontrei o significado destas garras rubras. Caço sim, é
inevitável. Meu ser lupino anda nas ruas em busca de sangue.
Como são curiosas as extravagâncias de um sorver dos lábios
licantropo. Um arranhão proveniente das nebulosas em que me escondo, forja em teus lábios entreabertos o meu encontro.
Caço
manadas de soberbos humanos, estou a limpar a noite do que lhe causa
dano, me permuto também em sábios encontros. Nesta troca ambígua de
valores restam os pântanos refeitos pelo sangue a guardar vaga-lumes,
estórias, mitos e incertezas.
Se são covardias nossas desonras?
Conclusões amorfas que deixaram rastros de baba respingados. Há as
desonras que vêem dos inventos dos sabujos rotos nas calúnias. Invertem
o tempo como fazem os tolos.
Meus pelos crescem e a matilha saúda a lua.