Edição 8

O meu vazio é um cheio

Cassiano Monteiro

Aqui eu falo, desfalo e falo de novo. Aqui eu não posso me dar ao luxo de me preocupar com pontuação, com vírgula e nem com o que o outro pensa de mim. Aqui eu posso. Tudo que eu não posso no mundo... Aqui eu posso. Ponho negrito no que me interessa? Sim. Acentuo o que me incomoda? Claro. No acaso me encontro? Talvez. Quando paro de escrever, vou até o acostamento e tomo água limpa numa fonte que elejo, que leio, que vejo por mim mesmo...e resolvo continuar. Parece que nunca escrevo tudo que gostaria e ainda não encontrei uma forma (que me agrade) de dizer o (meu) sentir. Mas eu tô na captura disso, de mim. Vou morrer me laçando (coisa que só eu posso fazer por mim mesmo) pra romper de vez com as gaiolas (uma porrada de crenças) que tanto me aprisionam. Livre: meta. Linguagem: método. Vazio? Acho que não é vazio o que sinto. Não é vazio, não. É cheio. É um cheio. Me enfiaram muita merda goela abaixo a vida toda. Tô lotado de coisas que não me servem a nada, que me causam imenso sofrimento e que me dão essa equivocada impressão de vazio. Vazio? Como assim? Não tem nada lá no vazio: nem bom e nem ruim - é a pausa, o intervalo, o espaço que existe entre um pensamento e outro, entre um "lotado" e outro, entre um lamento e outro, entre uma coisa e outra. Não é apatia. Só alívio. Vácuo. O vazio é alguma coisa onde não tem nenhuma coisa. Olha pra você ver...