Inspirado no poeta Ferreira Gullar
um de mim fala
outro de mim vomita
um de mim vê bonito
outro de mim se assusta com tudo
um de mim é criança
outro de mim é mimo barato e desconfiança
um de mim sabe ouvir
outro de mim não tá nem aí
um de mim é brilho e aplauso
outro de mim é ciúme, cimento e vaia
um de mim se satisfaz
outro de mim sempre quer mais
um de mim canta canções "bregas" debaixo do chuveiro
outro de mim berra por "coisas complexas" na latrina do banheiro
um de mim tem fé em si mesmo
outro de mim morre de medo
um de mim agradece a comida
outro de mim cospe no prato
um de mim é coração
outro de mim faz pose de garanhão
um de mim é atento
outro de mim atropela
um de mim fica comigo
outro de mim foge como bandido
um de mim é humano
outro de mim é cão chupando manga
um de mim é compaixão
outro de mim quer que se foda
PS:
ainda bem que finalizei esse troço com "que se foda". Tava cheio de
"riminhas". Credo, bicho. Retiro tudo que falei, quer dizer, que
escrevi.