Edição 11

O baú

Me Morte

dizendo que a casa é assombrada... -Não acreditou numa besteira dessas, acreditou? Meu noivo havia pegado a chave na imobiliária, precisávamos alugar uma casa urgente. O casamento era no próximo mês e ainda não tínhamos onde morar. -Por que o cara da imobiliária não veio com a gente?

-Ora meu amor. Ele confiou na gente, tinha outros compromissos, só isso. Abrimos à porta da frente e ele entrou para me passar confiança. -Venha Ana Elisa. Não há nada aqui, olhe. Entrei e em alguns minutos esqueci totalmente dos rumores de assombração.

-A casa é linda! Olhe uma lareira. -Já pensou a gente namorando ao pé da lareira no inverno? Marcos me olhou com o olhar carregado de desejo. Em dois dias fechamos o contrato e começamos a mobiliar. -Amor. Amanhã não poderei vir. É final de mês, trabalho até tarde.

Se quisermos nossa lua de mel na praia tenho que deixar tudo certo na empresa. No dia seguinte, bem cedo, estacionei na garagem da nova casa. Precisava acertar os últimos arranjos, o pessoal da loja ia entregar nosso jogo de quarto, queria escolher as melhores roupas de cama, afinal íamos estrear uma vida a dois ali.

Foi quando ouvi uma voz me chamando. Parecia minha mãe. -Ana Elisa. Suba aqui, por favor. -Mãe? Minha mãe ali? Como ela tinha entrado? A chave estava comigo. Minha mãe não sabia que tínhamos alugado a casa. Será que Marcos havia contado e esquecido de comentar?

-Aqui em cima. Depressa. Socorro! Subi as escadas correndo e percebi que a voz vinha do sótão. -Mãe... Está aí em cima? Subi a escada estreita e abri a pequena porta que dava acesso ao topo da casa. -Aqui... -Onde? Onde está você? O sótão estava vazio e só havia um baú num cantinho, meio escondido.

-Aqui. No baú. Venha rápido. Eu senti um calafrio, mas não tive dúvidas, era minha mãe. Corri até o baú e o abri.