Meu filho
filho vai para uma escolinha. Eu e a Renata fomos até lá fazer uma vistoria, tentar detectar algo que poderia prejudicar, ferir ou trazer sofrimento pra ele. Olhamos detidamente cada aposento, berços, inquirimos sobre a alimentação, o piso, as instalações sanitárias, as "tias", janelas, árvores, formigas, pernilongos...
nunca fui tão exigente em minha vida. No fundo eu tava querendo mesmo é que a escolinha fosse uma extensão da minha casa, que o Mateus ficasse sob meus cuidados mesmo em minha ausência, a verdade é que não confio em ninguém a ponto de entregar-lhe meu filho.
Às vezes me vem a mente a imagem de um flanelinha pedagógico me propondo: posso cuidar do garoto? Mas é inevitável, ele vai ter que se sociabilizar, vai ter que fazer amigos, inimigos, vai ter que dar e levar porrada, vai ter que ser humilhado, vai acabar pertencendo a um grupo, será excluído de outros, vai descobrir que viver é dolorido pra caralho, que o aconchego do lar, o colo dos pais, tudo isto só existe em casa.
Mesmo assim é possível que ele acabe trocando (espero que sim), que ele acabe tendo mais prazer com outros do que em casa. É doloroso, mas é preciso. Ele é apenas meu filho, nada mais, ele vai escolher quem serão seus donos, seus parceiros, seus asseclas.
Por enquanto é ficar na expectativa a cada dica que vou apanha-lo na saída da escolinha... Isto é só o começo. No fundo me sinto como aqueles pais de O Ateneu: Vais meu filho, conhecerás o mundo!