Edição 14

A cidade... Sempre a cidade

Paulo de Tharso

É a cidade que vai te seguir! E as ruas em que você andar, os prédios que você conseguir avistar, as avenidas por onde você passar, e becos sem saídas (que com certeza na vida irá encontrar), tudo isso não estará mais lá, quando você voltar a olhar novamente.

Você não segue e não muda porra nenhuma!

É a cidade que vai te seguir e te deformar. Ela é que se transforma.

Me-ta-mor-fo-ra-se.

Por dentro do teu pensamento.

À tua volta!

Percebi isso voltando pra kaza, bem antes do dia amnhecer. Sem amistosas, sem gritos, sem sangue. Foi depois de fazer a última apresentação de "Medusa", descendo a rua, de costas pra Deus, de frente pro kaus, com meu tornozelo bêbado e inchado.

É a cidade, sobretudo à noite, que te fornece os cenários mais representativos. Do "mais vulgar e miserável" até as torres de mármores.

Dentro da cidade, o prazer ilegal, é legal e próspero.

Então, vamos lá!

O que tem fome

Te rouba

Te rouba

Porque tem

Fome

Te come

Ruas

Feitas

De

Outras

Ruas

Avenidas

E a cidade vai te ver enlouquecer, envelhecer em meia tempestade.

Vai te ver decepado! A velocidade, camarada! A velha de Albert! A velocidade! É por isso que sou tenso.

Há teoria

Relativa

Nas calçadas

Pisadas

Da

Minha alma

Você não segue e não descobre nada. É a cidade que te persegue, cresce, se transforma e te engole. Pelas bocas do metrô, direto para seu subterrâneo ventre. Direto para as bocas de lobo..., Nas enchentes.

Decrepitude

Aos quarenta

Não é para

Quem pensa

É para

Quem marcha.