Madrugada
uma noite que vens com tuas incertezas. Pior que a manhã ausente. Desfazendo costuras do pensar. Me entrego aos delírios de tua pele suave. Sem sentir desejo ou estar presente. Deslizo pelo relevo de idéias cristalizadas de hora em hora. Passo através da consciência descortinando o branco de pólos opostos.
Esfria e a noite avança. A madrugada oscila, No asfalto trêmulo Quando o vento passa Subindo a colina oculta passo por lojas de pálpebras fechadas. Promessas de sonhos que não são meus. Luzes estroboscópicas que lançam sombras indefinidas. Lages inacabadas.
Uma vertigem emoldurada nas janelas das horas que passam. Rodopio de jornais velhos à passagem do vento. Meus olhos vermelhos ardem e o frio está mais uma vez cortante. Estrias de lucidez escapam pelas frestas de muros rachados. O tráfego ruge constante e amanhece.