Carro bomba na terra do nunca
A noite colhe suas rosas como um monólogo
Veste as meias com a parte do calcanhar pra cima
Uma vendedora de correio elegante na quermesse
De óculos escuros dublando esse frio na barriga
Algum louco internado na minha garganta
A linha do horizonte espalhada pelo labirinto
Pilotando um Carro Bomba na Terra do Nunca
O medo é um rascunho passado a limpo
(Poema do livro Orfanato Portátil, Atrito Art Editorial, 2003)