De soslaio (naco 1)
aqueles dias em que raros delírios resolvem fugir de milhões de cabeças que ainda não se ergueram totalmente do travesseiro papelão banco de praça ou algo similar. Como gritos inauditos lançados em trechos de desertos barbudos. Existem aqueles dias em que os próprios dias se escondem atrás de viadutos incógnitos só pra tirar um barato da gente.
Existem aqueles lampejos em que tempo não há nem de suor. Nem de vida nem de morte. Nem de sorte nem de azar. Quem sobrevive sente a faísca. É somente respirar. Dar porrada. E levar. (Poema do livro De Soslaio, Alpharrabio Edições, 1997)