Ao escuro
Aquele homem batera
todo dia à minha porta
sem nunca encontrar:
– nada – / da janela
do sobrado
meus olhos
de soslaio,
poderiam ir ao fundo
da própria ameaça,
salvá-los.
(meus brinquedos não
eram tão velhos para
seguir em sua viagem
sozinhos).
Mas não iam ao fundo,
paravam à margem,
chapinhavam o medo
que nadará o homem
que nada a criança.
(Tornando-se homem
planeja a vingança
um ataque à ameaça) /
Aquele velho baterá
todo dia à minha casa,
e só encontrará nada.
E dizem que
não vejo que o velho
passa fome:
O homem do saco
leva hoje
desaforo para casa.