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senhora reconhece algum deles? O detetive apontou através do vidro: Seis homens enfileirados. Rosa estava segurando o choro enquanto olhava atentamente, um a um. -O terceiro. -Tem certeza? -Olha, certeza, certeza, eu não tenho. Sofro de miopia, não vejo bem de longe.
Eu tenho certeza que os outros não são, a pele era morena como a do terceiro. -Hum...O policial coçou a cabeça e disse ao colega: Traga o rapaz aqui, o terceiro, vede os olhos dele para que não veja. -Não. Não precisa. Deixe ele me ver. Quero que saiba que fui eu.
Não me importo. Trouxeram o rapaz e a moça apoiou o braço na parede, estava enojada, levou a mão à boca. -Está se sentindo bem? Quer um copo d”água”? O policial percebeu sua súbita palidez. -Não. Não precisa, obrigado. Abaixou o rosto e vomitou no canto da sala.
-Por favor Dona Rosa, diga logo e retiro o meliante, assim se sentirá melhor. Reconhece o pedófilo que estuprou sua filha? -Não. -Não? -Não é ele. Tenho certeza. Saiu em direção à porta e quando passou ao lado do rapaz, parou e olhou bem nos seus olhos.
O rapaz virou de costas, não queria que ela mudasse de idéia. Dona Rosa, como se tivesse planejado, o abraçou por trás enquanto, ao mesmo tempo e sem piedade, enfiou fundo uma faca afiada em seu coração. As mãos juntas, firmes, não desprendiam, por nada.
O sangue jorrava junto aos gritos do bandido, os policiais tentando tirá-la e a lâmina fundo, contraindo toda musculatura do corpo que estrebuchava. -Tira ela...solta! Num tranco tiraram Dona Rosa e a faca ficou lá, cravada fundo enquanto o rapaz agonizava no chão da sala.
Dona Rosa segurou o peito e num segundo viu tudo escurecer. Enfartou ali mesmo. Enquanto faziam os primeiros socorros, a mulher abriu os olhos e sussurrou: -Perda de tempo, eu vou morrer. -Não. A senhora tem que reagir, fique calma. Teve uma parada cardíaca e o médico de plantão teve que usar o desfibrilador, por sorte tinham comprado uma na semana passada depois que um policial falecera por demora no procedimento.
-Ela voltou...A senhora vai ficar bem, vamos levá-la ao hospital. -Não...deixe-me morrer. O pulso estava fraco. O policial disse: -Dona Rosa, o pedófilo está vivo, não morreu. Ele escapou e a senhora também vai viver. Ela abriu os olhos a procura do infeliz e começou a reagir.
-Pronto. Apliquei uma sedativo, agora a levem ao hospital. Por que disse que o cara estava vivo? Ele já agonizou faz tempo. -Ela reagiu não foi?